HABILIDADES MÚLTIPLAS

O ser humano tem muitos tipos de inteligência, o psicólogo Howard Gardner sustenta a tese de haver, além das reconhecidas habilidades linguística e lógico-matemática, pelo menos outras seis formas de inteligência:

Espacial – mais presente em navegantes e engenheiros;

Corporal – sinestésica – desenvolvida em atletas e dançarinos;

Interpessoal – representada pela capacidade de compreensão dos sentimentos do outro;

Intrapessoal – expressa pelo autoconhecimento;

Naturalística – referente a relação da pessoa com a natureza;

Musical – desenvolvida em músicos, cantores, maestros.

A falta de comprovação por meio de medições através de testes torna a validação de suas hipóteses questionável por neurobiólogos, mas Gardner, que é professor da universidade Harvard, não está preocupado com isso, declarando-se mais interessado em estimular virtudes e talentos humanos do que em medi-los.

A visão tradicional a respeito da inteligência, que prevalece há centenas de anos, sustenta que em nosso cérebro existe um único computador, de capacidade muito geral. Quando funciona bem, a pessoa é inteligente e capaz de destacar-se em qualquer atividade. Se o computador for apenas razoável, o portador consegue resultados satisfatórios em diversas circunstâncias. Mas se funcionar mal, o dono desse equipamento é tolo, incapaz de estabelecer relações coerentes.

Para Gardner não é bem assim. Acredita que a relação cérebro-mente pode ser descrita como um conjunto de oito ou nove sistemas distintos de elaborações fundamentais. Um deles pode atuar muito bem, enquanto outro apresenta rendimento mediano e um terceiro funciona mal. Isto explica porque existem pessoas dotadas de grande talento artístico ou com habilidade para números que, no entanto, são incapazes de compreender os outros ou de manter relacionamentos, fato que a medicina oficial trata como patologia até então.

Hoje, existem muitas medições realizadas pela psicometria clássica e a pontuação que a pessoa tem nos diversos testes verbais e lógicos estão correlacionados a existência de uma inteligência geral – o QI (quoeficiente intelectual), porém, para Gardner, há fenômenos que estes estudos não explicam, em particular as razões que nos tornam tão diferentes uns dos outros e com habilidades tão diversas.

Sua explicação se baseia na pré-disposição genética e nas experiências infantis capazes de “estimular” e potencializar um dos computadores mentais de que dispomos. Por isso, um gênio poliédrico como Leonardo da Vinci é exceção e não regra.

Gardner usa os termos “inteligência” e “talento” como sinônimo e aponta que todos reconhecem a existência de diferentes talentos e habilidades humanas, o que não acontece com o termo inteligência e garante que a definição de inteligência não é óbvia, como os pesquisadores orientados pela cultura escolástica atribuem, concentrando-se nas habilidades verbais e lógicas e dando o nome de “inteligência”.

As pessoas com bom desempenho em línguas e lógica são, em geral, bons alunos e classificados inteligentes, mas do ponto de vista de Gardner, esta seria a inteligência escolástica, pois além da escola é possível observar a inteligência de arquitetos, bailarinos, músicos, comerciantes, excelentes naquilo que fazem, independentemente do desempenho escolar.

Gardner completa dizendo que daqui 30 ou 40 anos sua tese pode ser refutada por conta de novas descobertas de propriedades biológicas fundamentais, por exemplo, a velocidade de transmissão nervosa ou a plasticidade das conexões entre neurônios, mas acredita que é importante fazer o que faz hoje, no estudo das habilidades múltiplas, sobretudo porque hoje se fala da mente quase que apenas do ponto de vista cognitivo.

Na sua teoria, em vez disso, ele fala de respeito, ética e educação num sentido mais clássico, levando em conta que não deveria valer apenas a nota tirada na prova de matemática, mas o respeito pelo outro e o tipo de ser humano que nos revelamos.


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