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Neste ano, a cerimônia do Oscar acontece no domingo de Carnaval. Um dilema para quem se joga na folia de momo, mas também adora acompanhar a maior premiação do cinema. Por outro lado, aquele que abre mão do salvo-conduto para a felicidade e dispensa de abadás a blocos com nomes descolados, ganha uma alternativa à maratona de séries no Netflix.  Há também quem não veja a menor importância numa festa cheia de celebridades desfilando roupas caras e fazendo pose ou ainda aquele que não liga para o Carnaval e muito menos para o Oscar. Independente do lado que escolhemos, a repercussão dos filmes em algum momento nos encontra. Talvez seja o ponto que realmente importa nessa história: a curiosidade que desperta nas pessoas.

Os concorrentes à premiação máxima (melhor filme) deste ano, são exemplos de relevância e sintonia com temas atuais. Vale lembrar, que na cerimônia do ano passado houve protestos em relação à ausência de representatividade de minorias e com isso, acho que a turma da academia está mais atenta a detalhes que passaram batido na época. O fato é que os nove candidatos a melhor filme, nos permite olhar além das imagens. De alguma forma nos confrontam com aspectos controversos da nossa vida ou da sociedade.

É impossível coloca-los no mesmo balaio, porém há pontos que aproximam alguns deles. As histórias de “Estrelas além do tempo”, “Moonlight: Sob a luz do luar” e “Um limite entre nós” demonstram a importância de se combater o racismo, a intolerância, a desigualdade e o preconceito. Além disso, têm em comum a busca de seus protagonistas para encontrarem suas identidades, independente de imposições da sociedade ou expectativas dos outros.

Em “A qualquer custo” acompanhamos os desdobramentos de um drama familiar permeado por uma crise econômica. Até onde iríamos para dar condições dignas aos nossos dependentes? O imponente “Até o último homem” questiona o quanto estamos dispostos a seguir nossas convicções e o poder da virtude quando não é um instrumento narcisista.

Nossas fragilidades e dificuldades em lidar com o novo, aparecem em “Lion: Uma jornada para casa”. No excelente “A Chegada”, convicções são colocadas em cheque e percebemos nossa dificuldade diante da novidade, nossa intolerância ao diferente e a escolha do confronto antes mesmo de tentar um entendimento.

“Manchester à beira-mar” é um filme para gente grande. É a antítese de conceitos que tentam nos fazer acreditar em coisas como “querer é poder”. Mostra quando o imponderável nos tira o chão e não conseguimos pavimentar um novo caminho. Já “La la land: Cantando estações”, apesar de superestimado, nos diverte com ótimas canções e subverte um conto de fadas. Qual é o preço de ser o que somos ou fazer o que realmente queremos?

Apesar da tal relevância dos filmes, os fãs do Oscar continuarão olhando com desdém para aqueles que não gostam da festa, assim como os foliões jamais entenderão a opção de quem fica em casa assistindo a futilidade do tapete vermelho. Até que algum célebre político tenha a genial ideia de erguer um muro entre eles, fantasiado de Carnaval quando estiver rebocando um dos lados do muro, e de Oscar, quando estiver do outro.

email:andreycs13@gmail.com


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