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Onde você estava no dia 30 de junho de 2002? Com quem estava há 15 anos, quando comemorávamos nossa última conquista de Copa do Mundo? Como comemorou? Um feito habitual para os brasileiros naquele momento, era a terceira final consecutiva da nossa seleção e o segundo título em oito anos.

Essas perguntas são recorrentes quando recordamos ocasiões especiais. No meu caso em particular, tenho um vasto repertório de memórias sobre times e jogos de futebol que me ajuda a lembrar acontecimentos que vivenciei. É uma espécie de arquivo de “inutilidades afetivas”, que as vezes serve de chacota para os amigos menos ligados ao assunto ou de admiração para aqueles que enxergam seu valor.

Em 2002 era a primeira vez que uma Copa ocorria na Ásia, especificamente em dois países: Coreia do Sul e Japão. Lembro que programava a TV para ligar 10 minutos antes do primeiro jogo, que começava as 3:30h da madrugada. Aos 22 anos, como milhares de trabalhadores da nossa região, começava minha jornada as 6h, o que me impedia de ver os outros jogos, que aconteciam as 6h e as 8h. Quando tinha jogo do Brasil, rolava aquela tradicional “dispensa”, que as empresas elaboram para contemplar seus funcionários.

Em geral, acreditava-se que seria uma Copa sem muito entusiasmo por aqui, devido aos horários e ao time do Brasil que chegou desacreditado no torneio. Algumas instituições da imprensa chegaram a cancelar a cobertura devido ao preço da viagem (numa época de dólar em alta) e também ao total descrédito em relação ao êxito da equipe de Felipão. Além disso, boa parte da imprensa não via com bons olhos a opção do nosso técnico que deu de ombros ao clamor popular pela convocação de Romário e apostou em dois craques que não estavam em boas condições físicas: Ronaldo e Rivaldo.

Como somos um povo “festeiro” e adoramos uma Copa do Mundo, os prognósticos vieram todos abaixo. As pessoas varavam a noite para ver os principais jogos, lotando bares, boates e motéis. Em campo, jogo a jogo, Ronaldo e Rivaldo superavam suas marcas com atuações inesquecíveis.

Ainda sobre prognósticos, vale lembrar que foi um torneio onde seleções tradicionais caíram ainda na primeira fase, casos de França, Uruguai, Argentina e Portugal. A Holanda sequer foi à Copa; a Itália caiu nas oitavas, Inglaterra e Espanha nas quartas. Com isso, Estados Unidos, Turquia e Coreia do Sul (uma das donas da casa) fizeram campanhas históricas.

Nossa seleção foi ganhando confiança após confrontos fáceis na primeira fase (China e Costa Rica) e mesmo em jogos complicados como o das oitavas contra a Bélgica, nossos principais jogadores correspondiam em campo, pareciam dispostos a não repetir a experiência amarga de quatro anos antes.

Na final contra a Alemanha não precisei bolar nenhuma estratégia especial para ver o jogo. Era no domingo as 8h e seguimos a tradição de reunir a família em volta da TV. Confesso que estava com a mesma confiança que tinha na final da Copa anterior, quando perdemos para a França. A diferença é que naquele 30 de junho estava no mesmo local onde assisti a vitória do tetra em 1994. Ainda não tinha pensado, mas talvez isso explique nossa falta de títulos de lá para cá: em 1998, 2006 e até o fatídico 7×1, assisti aos jogos decisivos em outros lugares, longe do vitorioso quarto do tetra/penta. Não por isso, já reservei meu lugar por lá no ano que vem… E que venha o hexa!

email:andreycs13@gmail.com


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