Descubra “Onde Vivem os Monstros”

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Eles Estão Entre Nós

Estive numa vídeolocadora há alguns dias e me surpreendi ao ver o filme “Onde Vivem os Monstros” na sessão de filmes infantis, como sugere a sua capa.

Para os pais desavisados vai um alerta: se pretendem que seu filho veja algo parecido com “A História Sem Fim”, ícone infantil dos anos 1980, é provável que tenha que parar o filme na metade.

Após fazer filmes inovadores (Quero Ser John Malkovich e Adaptação) e assinar clipes da Björk (apogeu da invencionice), o excelente cineasta Spike Jonze utiliza uma narrativa convencional para contar uma história inusitada. Baseado num livro infantil cuja história é composta em sua maioria por figuras, o diretor assumiu que fez uma livre adaptação para o cinema.

Max é uma criança criativa que apresenta dificuldade em lidar com a frieza do mundo adulto. Como toda criança, costuma se refugiar no mundo lúdico quando tem contato com a dureza dos adultos. Após uma “acalorada” tentativa de obter atenção de sua mãe, nosso herói atravessa o mar e vai parar numa ilha onde vivem criaturas enormes e estranhas. Perspicaz, percebe que para conviver com elas deve assumir o posto de rei e é aí que tudo começa a ficar interessante, pois as criaturas não são tão assustadoras, devido aos seus meigos traços físicos. Por outro lado assustam pelo egoísmo, imaturidade, inconsequência e desejo de potência. Qualquer semelhança com o “bicho homem” é mera coincidência!

Para nós, adultos infantis ou crianças adultas, a metáfora cabe quando tentamos negar os monstros que nos rodeiam, com a cruel diferença de que “geralmente” não temos a chance de fugir e depois voltar para o jantar quando eles estiverem mais calmos. Sem contar que muitas vezes agimos com a mesma ferocidade com que se apresentam e optamos em fazê-los interagir com outros monstros soltos por aí.

Tenho o hábito de relevar a crueldade que o mundo adulto apresenta, ainda tento enxergar graça numa realidade cada vez mais cinza, o que talvez não seja ruim. Acho apenas que é preciso ter uma dose de realismo e não negar a existência de tais “monstros”.

Negá-los nos aproxima mais de sua crueldade. Quando o monstro da desilusão bate em nossa porta, somos capazes de mandá-lo acompanhado do monstro do ressentimento para se juntar aos outros tantos soltos por aí… E eles encontram terra em abundância no seu habitat.

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