Decisão sobre agressão sofrida por administradoras de estacionamento não tem data para sair

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Foi realizada nesta quinta (18) a primeira audiência sobre a agressão sofrida pelas administradoras do Estacionamento Central Park, Ana Raad e Rosana Akemi, em dezembro do ano passado, no Fórum de Jacareí.

Na tarde de hoje, foram ouvidos os acusados, as vítimas, testemunhas, a defesa e a acusação.

O Juiz de Direito Titular da 1ª. Vara Criminal de Jacareí, Dr. Josué Vilela Pimentel, afirmou que aguardará uma carta precatória, para ouvir uma testemunha em São Paulo e também um laudo pericial. Após isto, acusação e defesa farão as alegações finais e então a sentença será anunciada.

“Continuo esperando que a justiça seja feita o mais rápido possível”, disse Ana, uma das agredidas.

Não há data prevista para o anúncio.

Entenda o caso:

O incidente ocorreu no dia 15 de dezembro de 2010, quando os acusados Steeve e Claudinez Arice agrediram as administradoras do estacionamento. Segundo a denúncia do Ministério Público, os dois ofenderam ambas com palavras de baixo calão e agrediram fisicamente Ana e Rosana, que mantêm um relacionamento homossexual estável e trabalham juntas.

Os dois chegaram ao local por volta das 20h30 e foram alertados por rosada para que ficassem atentos ao horário do fim do funcionamento do estacionamento.  Deixaram o carro estacionado e foram informados por Ana Cristina que o estabelecimento fecharia às 22h30.

Steeve retornou ao estacionamento às 23h. Rosana, que então se encontrava no caixa, o alertou para que, da próxima vez, ficasse atento ao horário. Inconformado com a repreensão, Steeve passou a injuriar Rosana, utilizando-se de palavras de baixo calão, e afirmou que “ela deveria ficar ali até a hora que ele quisesse”.

 

Ao ouvir os gritos, Ana Cristina se aproximou perguntando a Steeve o que estava acontecendo. Ele então a empurrou, derrubando-a no chão. O outro acusado desferiu socos em seu olho direito, atirando-a novamente no chão.

Em seguida, Claudinez abaixou sua bermuda e, deixando seu órgão genital à mostra, disse: “agora você vai ver o que eu faço com sapatão! Eu vou te matar sua sapatão, sapata… agora elas vão ver como é que se faz”.

Como as duas gritavam insistentemente por socorro, pessoas que passavam pela rua chamaram a polícia. Pai e filho só pararam com os golpes quando os policiais chegaram.

As vítimas foram socorridas na Santa Casa de Jacareí e Ana Cristina chegou a ser transferida para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Por causa das agressões sofridas, Ana Cristina perdeu totalmente a visão do olho direito e Rosana sofreu debilidade permanente da função auditiva do ouvido esquerdo.

A promotora de Justiça Vanessa Yoko Hatamoto Médici ofereceu denúncia contra os dois por tentativa de homicídio por motivo fútil, não consumada por circunstâncias alheias às suas vontades (artigo 121, parágrafo 2º, inciso II, combinado com o artigo 14, inciso II, por duas vezes).

A denúncia também ressalta ainda que os crimes foram cometidos por motivo fútil, já que os dois tentaram matar as vítimas somente porque Steeve foi alertado por Rosana de que o horário de funcionamento do estacionamento deveria ser obedecido, bem como pelo preconceito decorrente da orientação sexual das vítimas.

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