Editorial: Boataria irresponsável em redes sociais gera desinformação sobre o Pinheirinho

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Desde a manhã deste domingo (22), quando começou a reintegração de posse do Pinheirinho, a equipe do Nossa Jacareí deixou de lado o descanso do final de semana e trabalhou arduamente, ouvindo fontes na Polícia, políticos da região, moradores, testemunhas oculares da desocupação etc.

Por volta das 10h, começaram a pipocar no twitter e no Facebook, fomentados por “notícias” na página de um partido político e de “agências independentes de notícias”, que “havia mortos” no Pinheirinho. Primeiro falaram em três, depois em sete. Ora, se ocorreram mortes, por que ninguém reclamou os corpos? Quem eram eles? Quais os nomes? Por que ninguém na imprensa dos “jornalões” citou as tais mortes?

Não haveria motivos para um fato de tamanha repercussão ser ocultado. Verdadeiros massacres já ocorreram no país na história recente, como em Carajás, e as mortes foram divulgadas claramente. Com a velocidade da internet e com o fato de que todos tiram fotos com celulares e rapidamente postam-nas na rede mundial de computadores, um espetáculo macabro com fotos dos corpos já poderia ser vista nas mesmas redes sociais e sites políticos.

Até a noite deste domingo, as tais mortes ainda eram “proclamadas” no Facebook, com internautas, de boa-fé, propalando tal informação, equivocada.

Algumas horas depois, surgiu outro grave boato. O senador Eduardo Suplicy (PT) e o deputado federal Ivan Valente (PSOL) haviam sido detidos, por supostamente terem “desacatado policiais”. Um senador da república e um deputado federal presos? Como? Onde? Quem os deteve? As pessoas repetiram isso, sem fazer estas perguntas?

Mais uma vez, a reportagem do Nossa Jacareí investigou e concluiu: Suplicy nem havia estado em São José no domingo e Valente havia passado pelo acampamento, mas entrou e saiu tranquilamente. O portal UOL, do Grupo Abril, caiu na armadilha e chegou a publicar que ambos estavam presos, mas após o alerta do Nossa Jacareí de que a informação era falsa, desmentiu em seu site. Talvez a vontade de dar um “furo jornalístico” levou algum colega à papaguear um boato, mas não vamos entrar no mérito.

O episódio tira lições: A internet é uma ferramenta importante para informar, mas pode ser um instrumento de inverdades, muitas vezes causadas por ruídos na comunicação (fato tão estudado por acadêmicos) como ser instrumento de mentiras fomentadas por viés ideológico, desnecessário no relato dos fatos.

Na cobertura de um episodio tão delicado como do Pinheirinho, o que importa para o jornalismo é a verdade. Já foi dito que “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Foi o que infelizmente ocorreu, com as inverídicas mortes na ação policial e com as prisões dos políticos que não aconteceram.

Tenhamos sempre serenidade e investiguemos afirmações, antes de sairmos “curtindo e compartilhando”, no calor da exaltação, informações tão fortes.
Mais uma vez, mostra-se necessário o senso critico e o questionamento do jornalismo sério. Muitas fotos e vídeos sensacionais foram publicados por internautas, na cobertura do caso Pinheirinho. Neste caso, estão todos de parabéns. Já sobre os boatos, tanto profissionais de grande veículos de imprensa quanto os “repórteres colaboradores” precisam ter cautela antes de espalharem histórias tão fortes, que chocam mesmo que sejam inverídicas.

A propósito: se por ventura realmente houveram “mortes” e elas foram bizarramente ocultadas sabe-se-lá por quem e por qual motivo, iremos noticiá-las, além de investigarmos a conspiração que envolveu as mesmas.

 

 

Aurelio Moraes – Jornalista e editor da seção “Politica” do Portal Nossa Jacarei

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