O Mundo Corintiano

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O Fim de Um Ano Santo

Fim de ano é um período naturalmente festivo. Somos tomados por uma mistura de confraternização e esperança capaz de arrebatar os mais céticos e amolecer os corações empedrados desde sempre. Renovamos nossas expectativas e somos alegremente complacentes com nossas ilusões. Pois bem, o futebol sempre fez parte das minhas ilusões, das minhas alegrias inexplicáveis e diversas vezes coloriu meu fim de ano. Não sei exatamente se colorir é o termo certo, porque no meu caso minha felicidade é em PB, como nos filmes clássicos, alvinegra para ser mais exato.

Como há vinte dois anos (no auge dos meus dez), o último mês de 2012 me proporcionou momentos de pura alegria, a mesma daquele menino que não cabia em si com a conquista inédita de Neto e Cia. Que me desculpem os torcedores rivais, que também tiveram suas alegrias neste ano, mas dadas proporções, como diz a inspiradíssima letra de Gilberto Gil em sua homenagem ao Corinthians, 2012 foi um “ano santo e a gente está no céu”.

Por falar em rivais, confesso que tenho minhas dificuldades em lidar com alguns deles, talvez seja caso de análise… Suspeito que tenha a ver com a “inveja do falo” freudiana. Mas convenhamos, acho que não há motivos para inveja, pelo contrário, as comemorações de títulos de nossos rivais são ricas em referências à nossa existência. E não estou aqui reforçando esse papo de “anti”, porque não é o tema do atual marketing corintiano que mais gosto; sem rivalidade o futebol deixa de ser apaixonante. E também não estou falando de discussões idiotas como declarações infelizes e ofensas de jogadores ou quem levou mais gente na comemoração, no estádio, tem mais dinheiro e a sede mais bonita. Isso é conversa de quem não entende o que sente e não sabe do que está falando.

No meu caso, sei muito bem o que sinto e posso indicar para todos que por ventura estejam precisando: Seja corintiano! Não há nada mais terapêutico que experimentar a intensidade de uma partida decisiva; de ser parte de uma nação devota a uma “filosofia de vida”; de sentir o calor fraternal vindo de alguém que nunca viu na vida; de ser mais humano (ou um mano) convivendo com a tensão entre o fracasso e a vitória; de sofrer como um alguém apaixonado cuja paixão não cabe no peito.

O segundo título mundial no Japão foi épico. A começar pela massa que atravessou o planeta para apoiar o time, um feito! Passa pelo trabalho do técnico Tite, que deu padrão ao time como há muito não se via no futebol brasileiro. Termina com a histórica vitória sobre o Chelsea; quando Cássio, Chicão, Paulo André, Paulinho, Jorge Henrique, Danilo e Paolo Guerreiro lembraram os “Sete Samurais” de Kurosawa.

Jamais vou esquecer a emoção do gol decisivo de Guerrero, quando o coração que já estava na boca deu lugar ao grito; dos abraços e do afeto do “bando de loucos” que aceitou dividir comigo a tensão daqueles noventa minutos; das histórias do dia seguinte contadas mesmo sem a voz, porque a gente “canta até ficar rouco”! E se orgulha dessa paixão infantil… Afinal, não há nada melhor que viver apaixonado! VAI CORINTHIANS!!!

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