Projeto leva história da MPB a escolas de Jacareí

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A pequena plateia formada por crianças e adolescentes vai se formando aos poucos ao redor do palco improvisado no pátio da escola municipal no bairro Veraneio Ijal. Enquanto aguardam o início do espetáculo inédito, ouvem Aquarela do Brasil, interpretada por Gal Costa. 
Alguns minutos de espera, e a música cessa na caixa de som para ganhar o palco ao vivo e em cores. Está no ar “Nossa Música, Nossa História”, com a cantora Cinthia Jardim, o músico Alê Freitas e o ator Gutho Pelogia. Em cena, os três fazem uma viagem pela história da MPB.
Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, é uma entre muitas composições nacionais que compõem o espetáculo “Nossa Música, Nossa História”, beneficiado pela LIC (Lei de Incentivo à Cultura) da Fundação Cultural de Jacarehy José Maria de Abreu com apoio da empresa Basf.
Brincando com a imaginação do público, o trio vai lá no fundo do baú e resgata Green Leaves, cantarolada por Cinthia e Freitas. “Esta era a música entre os ‘top 10’ daquela época (período colonial)”, dizem, em alusão às paradas de sucesso, comuns nos dias de hoje.
Após o ritmo lento de Green Leaves, a plateia é surpreendida por uma chuva de confetes ao som de Ô Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, primeira marchinha carnavalesca da MPB. E a divertida viagem pela história da música continua pela Era do Rádio, com Dolores Duran, e pela Bossa Nova, com a célebre Garota de Ipanema, num arranjo bem intimista, com Cinthia (voz) e Alê (violão). E chega ao regime militar, entre os anos 1964 e 1985, que diante da censura os artistas encontravam nos festivais da canção uma forma de contestar a ditadura por meio da música. Para lembrar essa época, a música escolhida é Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando), cuja execução foi proibida por anos e tornou-se uma das mais conhecidas músicas de protesto. E, para completar, O Bêbado e o Equilibrista, parceria de João Bosco e Aldir Blanc, mas imortalizada na voz de Elis Regina. O espetáculo termina ao som de Brasil Pandeiro, de Assis Valente.
Palco e camarim – O mesmo palco improvisado com as caixas de som e o microfone também serve de camarim, de onde saem os figurinos e apetrechos que a cantora Cinthia Jardim e o ator Gutho Pelogia usam em cena. Como tudo é feito de forma descontraída, a troca de figurino se transforma em parte do script e arranca aplausos da plateia.
Aprovação – Enquanto assistia atenta ao espetáculo na EMEF Mabito Shoji, no bairro Vernaeio Ijal, a estudante Daniele Ramos Barbosa, 10 anos, procurava reproduzir com as mãos os movimentos que a cantora Cinthia fazia ao tocar o chocalho. “Adoro cantar, mas só ouço funk. Não conhecia nem um pouco essas músicas… só Garota de Ipanema”, comenta. “Eu gostei muito. Tem as músicas e é muito engraçado (espetáculo) também”, completa. 
A professora Otildes Afonso Silva também aprovou o espetáculo. “Projetos assim são sempre bem-vindos, pois valorizam a nossa cultura”, avalia. Segundo a professora, o espetáculo é “uma oportunidade para os alunos aprenderem que nossa música tem uma história e que essa história está ligada à nossa cultura, à nossa história”.
Agenda:
7/8, 14h — ONG Guri na Roça (av. Adhemar Pereira de Barros, 404, Jardim Santa Maria)
12/8, 15h30 — EMEF Prof. Tarcísio Francisco Barbosa (avenida do Bancários, s/nº, 1º de Maio)

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