Grupo de estudantes de Jacareí desenvolvem sistema de energia solar para Hospital São Francisco

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Por Larissa Gacic

O grupo composto por cinco membros desenvolveu um sistema de energia solar fotovoltaica, para o Projeto de Conclusão de Curso da faculdade, com o objetivo de conscientizar e incentivar as pessoas na comunidade e sociedade em geral, sobre a necessidade de optar por energias alternativas, limpas e renováveis, em vista dos benefícios ambientais e econômicos. 

O NJ entrevistou um dos membros do grupo, Lucas, de 33 anos, sobre o projeto. Segundo ele, desde o começo do curso de Gestão Pública, junto com sua dupla, Mateus Nogueira, sempre conversaram sobre desenvolver um projeto de conclusão de curso nesta área de energias limpas, com cunho pedagógico. Com a formação do grupo, outros três membros vieram compor a equipe: Ednilson Moreira, Danilo Moreira e Maria Helena. Todos toparam com a ideia de seguir com o tema.  

O Hospital São Francisco de Assis presta serviços à comunidade local e regional através da assistência em saúde de média e alta complexidade em diversas áreas. Além dos serviços assistenciais em saúde, possuem diversas iniciativas sociais. Então com o surgimento da Campanha, vimos uma oportunidade de conseguir o patrocínio necessário e atingir o objetivo de promover a conscientização das pessoas, através da instalação deste sistema numa instituição filantrópica e que atendia os critérios para participar da campanha (instituição que estava ajudando no combate à COVID 19)”, disse ele. 

O que esse projeto vai ser útil para o hospital e também para os pacientes de lá? 

Lucas  Hospitais exigem uma alta demanda energética, pois possuem inúmeros aparelhos e processos dependentes de eletricidade que visam garantir a efetividade da assistência prestada. No Brasil o consumo energético hospitalar chega a representar até 23,7% dos gastos financeiros da instituição. Em outubro do ano passado, fizemos a instalação do sistema de 16 placas fotovoltaicas e inversor de 5KW no prédio da Administração do Hospital São Francisco, que terá geração média de aproximadamente 600 kWh/mês, que vai gerar uma economia em torno de 66% nos gastos com energia elétrica do consumo da administração do hospital, comparado ao gasto atual. Como os equipamentos e a mão de obra foram todos de doação, o hospital já teve um benefício no valor de aproximadamente R$ 25.000,00. 

Numa prospecção simples e rápida, considerando uma tarifa média de R$ 0,75 por kWh e a quantidade de energia estimada de geração pelo sistema no decorrer da sua vida útil de 148.850 KWh, podemos projetar uma economia que beira R$ 112.000,00, que se somados ao valor de mão de obra e do sistema, finalizamos com um benefício doado próximo a R$ 137.000,00. 

De um modo geral, como seu projeto pode beneficiar as pessoas? 

Lucas – Além dos benefícios de economia no consumo de energia e nos custos fixos do hospital mencionados acima, temos um ganho imenso pelo impacto positivo no Meio Ambiente que irá beneficiar as pessoas de toda nossa cidade e região, pois será evitada a emissão de aproximadamente 18.725 kg de CO2, o que representa o plantio de 75 árvores, ou o equivalente a dar mais de três voltas na terra de carro. O aspecto mais importante às pessoas será através da conscientização à importância e benefícios do uso de energias alternativas.  

O grupo contou com algum patrocínio para o projeto? Ficamos sabendo que até um cantor famoso participou da ação. 

Lucas – No fim do mês de março do ano passado, durante a Live “churrasco do Teló em casa”, o cantor Michel Teló anunciou que a empresa RENOVIGI faria uma doação de 10 kits fotovoltaicos, através de campanha no Instagram, para instituições filantrópicas que estivessem envolvidas no combate ao coronavírus. Vimos aí uma oportunidade de conseguir o patrocínio necessário para desenvolver nosso projeto. Entramos em contato com o departamento de marketing do Hospital São Francisco de Assis e eles toparam a ideia, então passamos a divulgar através das redes sociais, e em dois dias de divulgação conseguimos totalizar mais de 778 votos e garantir a doação de um dos kits ao hospital.  

O Michel Teló é apontado na página da RENOVIGI como embaixador da marca, sendo assim, ele fez a divulgação e deu visibilidade à campanha em sua live. 

Porque pra vocês é importante a utilização de energias renováveis? E como as pessoas comuns podem usá-la?  

Lucas – Sabendo que o uso desenfreado de recursos naturais e exploração ambiental está diretamente relacionada à geração de energia elétrica, acho natural que busquemos fontes alternativas de produção da energia, afinal, hoje somos totalmente dependentes dela. Vejo que existe uma busca por resolver esses problemas e até o incentivo ao uso de energias renováveis no cenário político do Brasil, com o objetivo de fomentar uma consciência da sua importância na sociedade. Nosso país tem tido um aumento expressivo no consumo final de energia nas últimas quatro décadas, mais que duplicando o consumo. Sendo assim, a energia solar fotovoltaica entra como um recurso alternativo, que gera energia limpa, renovável e infinita, minimizando assim os impactos negativos que o consumo energético traz ao meio ambiente.  

Conforme mostrado na calculadora ambiental, o sistema instalado representa 75 arvores plantadas, mais de 18.000 mil kilos de CO2 que deixarão de ir para atmosfera, contribuindo assim no combate ao efeito estufa, esses exemplos claros, mostram o potencial de economia e ganho para o meio ambiente, que um tipo de energia renovável pode trazer, pois durante a produção de energia pela matriz renovável não é gerado nenhum resíduo, seja solido, liquido ou gasoso, atrelado a isso ainda temos a ausência de poluição sonora ou calor.  

O sistema instalado no imóvel sede da Administração do Hospital tem 16 placas e gera até 600 kWh/mês, um sistema menor, com apenas quatro placas geraria em torno de 150 kWh/mês. No Brasil a média de consumo de energia elétrica numa casa padrão com quatro pessoas é de R$ 152,2 kWh/mês, de acordo com pesquisa realizada pela PROCEL/Eletrobras, isso mostra que um pequeno sistema garantiria quase 100% do consumo de uma unidade residência padrão, e os custos para aquisição desses sistemas caíram muito e caem a cada ano, se tornando cada vez mais acessível. O prazo de retorno de um investimento residencial gira em torno de cinco anos, um período considerado pequeno frente a vida útil do sistema que é de no mínimo 25 anos, que costuma ser o período de garantia das placas fotovoltaicas. Além do barateamento que vemos nos custos envolvidos para a aquisição de um sistema fotovoltaico, hoje existem incentivos e formas de financiamentos que auxiliam à maior popularização e acesso à tecnologia de energia solar fotovoltaica.  

Quando o projeto entrou em funcionamento? e qual retorno ele está dando?  

Lucas – A instalação de todo o sistema se deu em outubro do ano passado, e a empresa responsável o ligou à rede no mês seguinte. O retorno calculado hoje é de até 65% de desconto nas contas de energia do prédio da administração do hospital, o valor que o hospital vai economizar durante a vida útil do sistema chega a 150 mil reais. 

Qual é o sentimento de vocês ao ver esse projeto em ação?  

Lucas – O sentimento enquanto grupo e pessoa é de dever cumprido, pois através das habilidades adquiridas no curso, conseguimos desenvolver um projeto que vai impactar não apenas nossa cidade, mas toda a região do Vale do Paraíba, afinal, quando o hospital reduz seu custo fixo, consegue ter mais dinheiro para investir, seja nas instalações, nos atendimentos ou até na aquisição de equipamentos e insumos tão necessários, ainda mais nesse momento que passamos de pandemia.

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