“Planeta dos Macacos: A origem” é tributo ao filme original

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Aviso: contém alguns “spoilers”.

Um filme para ser bom, não necessariamente precisa ter grandes diálogos: bastam as expressões de alguns carismáticos símios para a trama se desenvolver com primor. É o que acontece em “Planeta dos Macacos:A origem” que respeita tanto a história original do livro de Pierre Boulle, quanto o filme de 1968.

Rick Jaffa e Amanda Silver começam o roteiro da história com a captura da símia Olhos Brilhantes, que vai parar em um laboratório comandado pelo cientista Will Rodman (James Franco), e é usada por ele em pesquisas envolvendo um vírus modificado para curar o mal de Alzheimer. Em tese, a pesquisa envolve apenas o lucro da indústria farmacêutica na qual ele trabalha, mas ao longo do filme, fica claro que a pesquisa é feita para ver novamente seu pai, o músico Charles (John Lithgow), saudável.

Durante os testes com a chimpanzé, Will nota que seu tratamento aumenta a inteligência da cobaia, que passa esta para o filhote Cesar, antes de ser morta em um incidente trágico no laboratório. 
Will leva-o  para sua casa, evitando que ele seja sacrificado. Com o tempo, César mostra-se um animal extremamente inteligente.

Após ver um vizinho brigando com Charles, o esperto chimpanzé agride-o violentamente e é levado para um centro de primatas. É aí que a história fica interessante, pois o César é cruelmente mal-tratado.
Em sua vida neste lugar, surgem as referências ao “Planeta dos Macacos” original. Em uma cena, ele recebe uma ducha de água fria, igual ao astronauta no filme de 1968. A platéia que assistiu à primeira retratação da história no cinema vem abaixo quando César briga com seu antagonista Dodge ( que maltrata os macacos nesta espécie de zoológico), e este diz a frase clássica “Take your stinking paws of me, you damn dirty ape!” (ou em português “tire suas patas imundas de mim, seu macaco imundo”, dita pelo astronauta Taylor no filme original). O chimpanzé não aceita a violência com a qual os primatas lá são tratados e começa a maquinar uma revolução contra os humanos ali. A amizade entre César, um orangotango que fala a linguagem dos sinais e um gorila também é tocante.

Paralelamente, aparecem no filme notícias de uma missão tripulada à Marte e de que a nave se perdeu no espaço, uma brecha para uma continuação onde os astronautas voltarão à Terra e encontrarão macacos inteligentes.

As cenas de ação envolvendo o intrépido chimpanzé, o modo como ele torna os outros macacos inteligentes espalhando o vírus modificado no zoológico “prisão”  e a maneira que leva ele à liderar os mesmos contra os humanos é magistralmente conduzida. Andy Serkis, o mesmo ator de Gollum em “O Senhor dos Anéis”, no papel de César e transformado em primata com os ótimos efeitos especiais
também merece elogios.

Em entrevistas, o diretor Ruppert Wyatt se demonstrou animado, ao cogitar continuações para o filme, o que seria justo. Como virou moda nos últimos tempos, há uma cena muito importante em meio aos créditos finais. Novamente, não saia do cinema antes do fim dos mesmos.

“Planeta dos Macacos: A origem” não só respeita o filme clássico, como coloca em pauta temas modernos da ciência: É justo fazer tantos experimentos em macacos, que são 98% similares aos humanos? Se sim, como lidaríamos se eles desenvolvessem uma inteligência mais próxima à da humana?

O filósofo Peter Singer já defendeu que nossos “primos” símios ganhassem status jurídico para não serem usados em experimentos, assim como em 2011 a Academia de Ciências Médicas da Grã-Bretanha pediu que o governo deste país estipule regras mais rígidas para pesquisas médicas envolvendo com animais. O grupo teme que experimentos envolvendo transplante de células acabem criando anomalias, como macacos com a capacidade de pensar e falar como os humanos.

É bastante interessante quando uma arte, como o cinema, bata às portas da realidade,não sendo apenas ficção científica. Vale muito o ingresso.

Trailer:

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