“Contágio” traz realidade crua das grandes epidemias

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Desde o alarmismo e a paranoia perpetrada pela crise da gripe suína (e sua correria para todos se vacinarem),  a humanidade passou a temer novamente grandes epidemias.

Este é o mote do bom filme “Contágio”, de Steven Soderbergh. O maior mérito da película é contar como uma grande epidemia apocalíptica poderia ocorrer, sem dramas melosos desnecessários e que nada acrescentariam à trama. Ele conta como o vírus se espalha do ponto de vista do cidadão comum, vendo um fim iminente da sociedade.

A doença surge na Ásia, mata infectados rapidamente e em poucas semanas está presente em todos os continentes. São três as esferas apresentadas na trama: As instituições públicas, focadas nos epidemiologistas e nos médicos (Kate Winslet, Laurence Fishbourne, Elliot Gould e Marion Cotillard); os pais de família pacatos ( Matt Damon, John Hawkes); e a mídia investiga, com um certo tom de teóricos da conspiração, com um repórter e blogueiro (Jude Law).

O roteiro do inteligente Scott Z. Burns passeia pelas histórias destes grupos de maneira satisfatória, sem cenas piegas ou descartáveis. Há alguns discursos embutidos, como contra o adultério de uma personagem, ironicamente transmissora da doença, mas isto não compromete o andamento do filme.

O diretor capricha em planos de imagem fechados em mãos, maçanetas e pratos de comida, obviamente com o intuito de fazer o espectador sair preocupado do cinema com as boas práticas de limpeza e assepsia. As passagens que mostram as cidades desoladas, após a epidemia dizimar milhões de pessoas também são bastante realistas.

Outra questão interessante da película são os interesses dos laboratórios farmacêuticos. Dúvidas sobre como e quando estes desenvolvem medicamentos e vacinas, visando obviamente o lucro são mostrados. E mais: quem deve receber as vacinas em primeiro lugar? É moralmente aceitável que algumas pessoas tenham privilégios para recebê-las antes de outros? O problema cai no colo das autoridades de saúde.

Mais importante que tudo isto, Soderbergh tem um interesse maior: mostrar como o início de um apocalipse reflete nas pessoas. A pandemia se espalha geometricamente e sem delongas o individual some na escala da sociedade.

Nota: 9,5

Trailer:
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