Jacareí tem desfile de “cavalinhos” da Revolta do Sal no sábado

Neste sábado (8), às 9h, a Cia Athus Humanus realiza um desfile por ruas de Jacareí com “cavalinhos de suspensórios”. Os cavalinhos foram confeccionados durante uma oficina que integra o projeto A Revolta do Sal, beneficiado pela LIC (Lei de Incentivo à Cultura), e tem como objetivo chamar a atenção da população para um fato que marcou o período colonial do Brasil e que, segundo historiadores ocorreu na imediações de Jacareí.

“O desfile é para contar esta parte da história do País. É como se fosse a chegada de Bartolomeu Fernandes com o sal resgatado do Porto de Santos, uma forma de chamar a população para este fato histórico da cidade que muita gente desconhece”, explica o artista plástico Doni Bueno, idealizador do projeto. O desfile termina com a encenação da peça teatral A Revolta do Sal, por volta das 10h30, no Pátio dos Trilhos.

O projeto A Revolta do Sal é composto de três partes: a oficina de confecção dos cavalinhos de suspensórios e utilizados na peça teatral homônima, a peça teatral e o documentário. A Revolta do Sal é um fato histórico, ocorrido nos anos 1710 , que marcou o período colonial do Brasil, e liderado por um paulista que habitava em terras do Vale do Paraíba, mais especificamente, na “Vila de Jacareí”.
Revolta do Sal – Acompanhado de 200 índios e escravos, Bartolomeu Fernandes invadiu os armazéns do Porto de Santos de onde retirou o sal estocado e o distribuiu. A ação pegou de surpresa a corte portuguesa e toda guarda que fazia a segurança do local.
Esse conflito é tido por muitos historiadores como uma das primeiras insurgências contra a dominação de Portugal sobre o Brasil. “Não podemos considerar a Revolta do Sal um movimento emancipatório, mas sem dúvida foi um “grito” contra a dominação portuguesa”, avalia o diretor de Cultura e professor de História, Alberto Capucci.

“Há 300 anos, quando nem se cogitava a fabricação de frigoríficos, o sal era importantíssimo para a conservação da carne, além de ser muito utilizado na alimentação do gado”, diz Capucci.

Nesse mesmo período, o sal, que saía de Portugal e chegava ao Porto de Santos, era tabelado pelo Rei, encarecendo o produto e dificultando sua aquisição inclusive pelas classes mais abastadas. A medida adotada pela Coroa portuguesa e que gerou a Revolta do Sal é relatada na obra “Os Andradas”, de Alberto Sousa.


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