Por respeito à todas as histórias

Tenho vários alunos como amigos no Facebook e semana passada vários deles compartilharam referências à serie Sex Education da Netflix. Acompanhei alguns episódios da segunda temporada com meu marido então nem me surpreendi ao contrário achei muito legal.
A produção britânica aborda temas como ansiedade, bullying, abuso, autoaceitação e educação sexual sem complicações e de um jeito que parece uma conversa leve, do tipo que gostamos de ter com quem é importante pra gente.
Atentem pro fato de que essa foi a impressão de uma mulher de 38 anos, adolescência passou faz tempo por aqui.
Vamos pular essa parte.
Uma das alunas que falaram sobre a série me disse “que bom seria, professora, se na vida real as meninas se apoiassem assim” e na sua fala percebi que se para mim, adulta, a trama da série se mostrou como um aprendizado imagina para um jovem descobrindo os lados bonitos e feios do mundo?
Naqueles posts sobre Sex Education eu vi mais que comentários de fãs: meus alunos e alunas mostraram que finalmente assistiram algo que os trata como pessoas que sofrem, têm dúvidas, medos e desafios. Que por trás do mau humor típico da idade existe um ser em transformação que precisa de um olhar mais compreensivo para as demandas de um dia a dia que tantas vezes os assusta.
Não somos todos um pouco assim?
Talvez o que te dava medo e vergonha lá na sua juventude hoje seja coisa insignificante porque suas preocupações com casa, emprego, filhos (se você os tiver) e boletos não te dão tempo para essas bobeiras de lembrar do que passou. Mas o que passou te construiu, pode ser que não tão firme e forte quanto você gostaria mas vamos lá, um dia de cada vez.
Uma das coisas que mais gosto sobre trabalhar com adolescentes é que na sua impulsividade (me identifico) eles nos ensinam o tempo todo.
No passeio por suas redes sociais eu tive uma lição inesperada sobre a importância de sermos ouvidos independente da idade que temos: ela não pode ser apagada por uma rotina de muita voz e pouca paciência.
Seja lá qual for a fase pela qual você está passando você tem todo o direito de ser respeitado nas suas perguntas e incertezas. E se não estiver sendo assim, sinta-se a vontade para se juntar a quem e o que te faz bem.
Nem que seja maratonar uma série da Netflix que pareça falar tudo o que você precisa ouvir.
Respeite a sua memória, não faça pouco da sua trajetória. Só você sabe os erros e acertos que te trouxeram bravamente até aqui.

DeboraSConsiglio

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